

BRASIL, Sudeste, Mulher, de 20 a 25 anos
as palavras
aqui
em branco
as palavras
ali
no banco
as palavras
muitas
nada dizem
sem um abraço
denso
imenso...
Seu amor é líquido, é gasoso, é sólido, é um arco-íris.
O seu amor é um líquido que povoa o meu corpo inteiro, sua nascente. São águas que nascem serenas e, aos poucos, vão adquirindo velocidade o bastante para romper as margens e leitos, deixando o meu corpo sem órgãos.
Você flue em mim, escoa pelo meu corpo, sua casa. Nos fazemos “rio” que desaguá em cascatas, inundando oceanos e paisagens, banhando aldeias e matando a sede das tribos, levando fertilidade ao sertão...
Água serena, que percorre territórios desconhecidos, deságüe aqui em minha cascata.
eu quero comprar flores para você.
colher flores com você.
parir flores com você.
e, depois, jogar todas as cores
das flores
tudo no vento
daqueles rizomas
axiomas.
A sensação de perda é como aquela em que um copo de vidro escorre por entre os seus dedos e cai das mãos. Algo que é tateável, transparente e sublime, mas que, em poucos minutos, pode se transformar em estilhaços que explodem em rotações ávidos por acertar um alvo e romper um elo. Há sangue e cacos de vidro no chão. Não há cola que repare as partes do todo. O erro foi posto e nem super bonder é capaz de regeneração.
Corriqueiramente, nos machucamos, sofremos, nos sentimos impotentes perante as situações pelas quais já passamos. A dor da perda não é passível de quantificação, mas quanto mais sentimos pelo dano causado mais a ferida demora para cicatrizar. Então, para que sofrer se a dor já é algo da vida? É preciso encontrar saídas, substituir estilhaços de vidro por copos novos.
As pessoas somem
é vida que passa
e gente dorme.
Te quiero
Te gusta?
Degusto.
Te levo
em cada trago
Ainda te espero
em cada cigarro.